Nunca fomos ao cinema.
Não conheço seu cão.
Você nunca me viu chorar.
Nunca vi você dirigir.
Me lembro bem da primeira vez em que não viajamos.
Não fomos jantar.
Não conheço seus amigos.
Você nunca me viu irada.
Nunca vi sua letra.
Me lembro da primeira vez em que não fomos à praia.
Não fomos ao show.
Não conheço seus discos.
Você nunca me viu triste.
Nunca vi você trabalhar.
Me lembro da primeira vez em que não passeamos.
Não fomos à festa.
Não conheço sua família.
Você nunca me viu cozinhar.
Nunca vi você ler.
Me lembro da primeira vez em que não nos vimos.
Não fomos dançar.
Não conheço seu passado.
Você nunca me viu refletir.
Nunca vi você relaxar.
Me lembro da primeira vez em que não falamos de futuro.
Nunca fomos um.
Não conheço seu presente.
Você nunca me viu ao seu lado.
Nunva vi você querer.
Me lembro da primeira vez em que não fomos nada.
Só não me lembro de ter querido ser dois.
Um em cada canto.
Você sem você.
Eu sem você.
Nós sem uma primeira vez.
* Não sei quem é o casal, mas adorei a primeira vez que vi.
"O senhor poderia me dizer qual caminho devo tomar para sair daqui? Para onde você quer ir?, respondeu o Gato. Não me importo muito para onde..., retrucou Alice. Então não importa o caminho que você escolha... "Mas eu não quero ficar entre gente maluca, Alice retrucou. Oh, você não tem saída, disse o Gato, Eu sou louco. Você é louca. Como você sabe que eu sou louca?, perguntou Alice. Você deve ser,ou então não teria vindo para cá." Entendeu ou quer que eu desenhe? Miau...
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
Recordar é viver?
Escrevi isso em setembro de 2006. E tal qual a moda que vive volando, isso se aplica bem ao momento.
Feitos um para o outro
Tarde de Harry e Sally.
E toda vez choro horrores.
Choro pensando nas oportunidades perdidas, nos radicalismos sem sustentação racional. Choro porque todo mundo merece um amor impossível só pra sentir que tá vivo. Choro de inveja de Sally. Choro pq , no fundo, queria um Harry - ainda que chato e a cara do Billy Cristal - correndo atrás de mim até o Empire State. E tem essa coisa, né? De todo mundo se beijar à meia noite ... Deve ser uma alusão aos contos de fada, um boa noite cinderela sem qq efeito lisérgico. O fato é que a gente vai vendo como as relações são construidas ao longo da vida. Antes de Harry e Sally estava dando uma olhada em "Separações", do Domingos de Oliveira. Os casais de filmes pseudo-intelectuais nacionais são sempre muito descolados, livres, independentes. E moram no Leblon. Têm grana pra passar uma temporada em Paris, quando voltam estão cheios de projetos culturais e milhões de vinhos na bagagem. E são modernos, sentam-se juntos dos seus ex-pares, como uma grande família italiana. Mas uma coisa ficou na minha cabeça ecoando.
Saco, quando essa coisas ecoam é foda porque eu começo a pensar na vida com profundidade. E, sinceramente, tô evitando o máximo esse momento. Mas, enfim, pelo menos uma vez por mês amarro esse bode preto e penso nas grandes questões do mundo e da sobrevivência. Lá pelas tantas o cara diz: "É preciso ser amigo de quem vc amou muito um dia. Porque senão o mundo fica curel demais!".
Fiquei absorta, introjectando essa coisa e me pus a pensar nos homens que eu amei. Amei muito, todos eles. Embora, alguns deles nem acreditem realmente nisso. E descobri que não amei apenas aqueles de relações pré-estabelecidas. Amei cada ser do sexo oposto que passou fugazmente pela minha breve vida. de maneira louca, de maneira sofrida, de maneira divertida. Eu amei. E não foi pouco. E tenho pensado nisso. Porque amor transborda feito leite em peito de mãe iniciante. E quando vc não tem onde colocá-lo ou como eternizá-lo, propagá-lo, é muito ruim. Fica essa coisa entre o estômago e o seio esquerdo. Um nó violento na garganta e vc quer dizer, quer mostrar, quer exibir seu amor. Porque amor é um sentimento tão raro. Todo mundo quer. Ninguém sabe definir direito. Alguém já jurou saber o gosto, outro já apalpou. E amor é tão fácil sentir. Ter é mais difícil, mas não é regra. O amor tá meio aprisionado, eu acho. Falta lucidez pra amar. Falta coragem. Falta tempo. Conheço até quem pense faltar dinheiro pro amor.
Detesto essas reflexões. Porque vou ficando densa e pulo pra etapa dois, quando quero saber o propósito de tudo. Seja do fio de cabelo caído no piso do banheiro, seja entender esse movimento cíclico que é a vida e porque ela não costuma sorrir com simpatia pra geral. E vejo essas bobagens hollywoodianas querendo vender o amor eterno e alcançável, e acredito piamente que ele possa mesmo existir.Sim, ele existe. Quantos de nós já não fez a besteira de se apaixonar perdidamente ao longo do dia? De meter pés pelas mãos? Pegar o celular na madrugada e acordar numa puta ressaca moral no outro dia só por ter discado praquele amor de ontem? São as horas em que o neurônio - a essa altura o único que existe -, é interligado à boca por apenas um microfio transparente e fraco. Então a mente não registra regras, e lá vai o tal neurônio detonando todo o seu discurso, suas idéias pré-fabricadas.
Deveria haver um meio termo. Uma forma de equilíbrio. Harry e Sally me fazem pensar nisso toda vez que os vejo na tela. Pq é um casal tão improvável que vc passa a achar que ganhar na megasena é um simples exercício de pragmatismo. Os caras levam 12 anos pra se acertar.12!!!Entre idas e vindas.Destino? Paciência? Falta de Sorte? Será mesmo que existe em algum canto do planeta uma pessoa destinada a nós? Será que já não passou por aqui feito cometa e simplesmente se foi? Tá vendo, tô fazendo de novo.
Merda! Lá vou eu filosofar tal qual leitor de orelha de livro. Saco! É esse tal de amor. Reprimido aqui dentro. Louco pra sair por aí em noites de tempestade. O chato dessa história é saber que se tem tanto a oferecer pra tão pouca gente que merece.
Certamente, existe alguém por aí merecedor desse transbordamento. Dessa cheia de amor que acontece em algumas estações do ano!
É a primavera chegando!
E bem que ela podia trazer um primo tb...
"O Homem Lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções que ele nunca se entusiasma com ela. Assim como ele nunca tem memórias. O Homem Lúcido sabe que o viver e o morrer são o mesmo em matéria de valor posto que a vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um Mal. O Homem Lúcido sabe que ele é o equilibrista na corda bamba da existência. Ele sabe que por opção ou por acidente é possível cair no abismo a qualquer momento interrompendo a sessão do circo. Pode tembém o Homem Lúcido optar pela vida. Aí então ...Ele esgotará todas as suas possibilidadades. Ele passeará pelo seu campo aberto pelas suas vielas floridas. Ele saberá ver a beleza em tudo! Ele terá amantes, amigos, ideais, urdirá planos e os realizará. Resistirá aos infortúnios e até mesmo às doenças. E se atingido por um desses emissários saberá suportá-lo com coragem e com mansidão. E morrerá, o Homem Lúcido, de causas naturais e em idade avançada cercado pelos seus filhos e pelos seus netos que seguirão a sua magnífica aventura. Pairará então sobre a memória do Homem Lúcido uma aura de bondade. Dir-se a:-Aquele amou muito. Aquele fez muito bem as pessoas!A Justa Lei Máxima da Natureza obriga que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem se iguale sempre à quantidade de acontecimentos favoráveis. O Homem Lúcido, porém, esse que optou pela vida com o consentimento dos deuses tem o poder magno de alterar essa lei Na sua vida, os acontecimentos favoráveis serão sempre maioria...Porque essa é uma cortesia que a Natureza faz com Os Homens Lúcidos"
*O texto é uma livre tradução, parte de um Tratado sobre a lucidez, que teria sido escrito no séc. VI a.C, na Caldéia – parte sul e mais fértil da Mesopotamia, entre os rios Eufrates e Tigre
Feitos um para o outro
Tarde de Harry e Sally.
E toda vez choro horrores.
Choro pensando nas oportunidades perdidas, nos radicalismos sem sustentação racional. Choro porque todo mundo merece um amor impossível só pra sentir que tá vivo. Choro de inveja de Sally. Choro pq , no fundo, queria um Harry - ainda que chato e a cara do Billy Cristal - correndo atrás de mim até o Empire State. E tem essa coisa, né? De todo mundo se beijar à meia noite ... Deve ser uma alusão aos contos de fada, um boa noite cinderela sem qq efeito lisérgico. O fato é que a gente vai vendo como as relações são construidas ao longo da vida. Antes de Harry e Sally estava dando uma olhada em "Separações", do Domingos de Oliveira. Os casais de filmes pseudo-intelectuais nacionais são sempre muito descolados, livres, independentes. E moram no Leblon. Têm grana pra passar uma temporada em Paris, quando voltam estão cheios de projetos culturais e milhões de vinhos na bagagem. E são modernos, sentam-se juntos dos seus ex-pares, como uma grande família italiana. Mas uma coisa ficou na minha cabeça ecoando.
Saco, quando essa coisas ecoam é foda porque eu começo a pensar na vida com profundidade. E, sinceramente, tô evitando o máximo esse momento. Mas, enfim, pelo menos uma vez por mês amarro esse bode preto e penso nas grandes questões do mundo e da sobrevivência. Lá pelas tantas o cara diz: "É preciso ser amigo de quem vc amou muito um dia. Porque senão o mundo fica curel demais!".
Fiquei absorta, introjectando essa coisa e me pus a pensar nos homens que eu amei. Amei muito, todos eles. Embora, alguns deles nem acreditem realmente nisso. E descobri que não amei apenas aqueles de relações pré-estabelecidas. Amei cada ser do sexo oposto que passou fugazmente pela minha breve vida. de maneira louca, de maneira sofrida, de maneira divertida. Eu amei. E não foi pouco. E tenho pensado nisso. Porque amor transborda feito leite em peito de mãe iniciante. E quando vc não tem onde colocá-lo ou como eternizá-lo, propagá-lo, é muito ruim. Fica essa coisa entre o estômago e o seio esquerdo. Um nó violento na garganta e vc quer dizer, quer mostrar, quer exibir seu amor. Porque amor é um sentimento tão raro. Todo mundo quer. Ninguém sabe definir direito. Alguém já jurou saber o gosto, outro já apalpou. E amor é tão fácil sentir. Ter é mais difícil, mas não é regra. O amor tá meio aprisionado, eu acho. Falta lucidez pra amar. Falta coragem. Falta tempo. Conheço até quem pense faltar dinheiro pro amor.
Detesto essas reflexões. Porque vou ficando densa e pulo pra etapa dois, quando quero saber o propósito de tudo. Seja do fio de cabelo caído no piso do banheiro, seja entender esse movimento cíclico que é a vida e porque ela não costuma sorrir com simpatia pra geral. E vejo essas bobagens hollywoodianas querendo vender o amor eterno e alcançável, e acredito piamente que ele possa mesmo existir.Sim, ele existe. Quantos de nós já não fez a besteira de se apaixonar perdidamente ao longo do dia? De meter pés pelas mãos? Pegar o celular na madrugada e acordar numa puta ressaca moral no outro dia só por ter discado praquele amor de ontem? São as horas em que o neurônio - a essa altura o único que existe -, é interligado à boca por apenas um microfio transparente e fraco. Então a mente não registra regras, e lá vai o tal neurônio detonando todo o seu discurso, suas idéias pré-fabricadas.
Deveria haver um meio termo. Uma forma de equilíbrio. Harry e Sally me fazem pensar nisso toda vez que os vejo na tela. Pq é um casal tão improvável que vc passa a achar que ganhar na megasena é um simples exercício de pragmatismo. Os caras levam 12 anos pra se acertar.12!!!Entre idas e vindas.Destino? Paciência? Falta de Sorte? Será mesmo que existe em algum canto do planeta uma pessoa destinada a nós? Será que já não passou por aqui feito cometa e simplesmente se foi? Tá vendo, tô fazendo de novo.
Merda! Lá vou eu filosofar tal qual leitor de orelha de livro. Saco! É esse tal de amor. Reprimido aqui dentro. Louco pra sair por aí em noites de tempestade. O chato dessa história é saber que se tem tanto a oferecer pra tão pouca gente que merece.
Certamente, existe alguém por aí merecedor desse transbordamento. Dessa cheia de amor que acontece em algumas estações do ano!
É a primavera chegando!
E bem que ela podia trazer um primo tb...
"O Homem Lúcido sabe que a vida é uma carga tamanha de acontecimentos e emoções que ele nunca se entusiasma com ela. Assim como ele nunca tem memórias. O Homem Lúcido sabe que o viver e o morrer são o mesmo em matéria de valor posto que a vida contém tantos sofrimentos que a sua cessação não pode ser considerada um Mal. O Homem Lúcido sabe que ele é o equilibrista na corda bamba da existência. Ele sabe que por opção ou por acidente é possível cair no abismo a qualquer momento interrompendo a sessão do circo. Pode tembém o Homem Lúcido optar pela vida. Aí então ...Ele esgotará todas as suas possibilidadades. Ele passeará pelo seu campo aberto pelas suas vielas floridas. Ele saberá ver a beleza em tudo! Ele terá amantes, amigos, ideais, urdirá planos e os realizará. Resistirá aos infortúnios e até mesmo às doenças. E se atingido por um desses emissários saberá suportá-lo com coragem e com mansidão. E morrerá, o Homem Lúcido, de causas naturais e em idade avançada cercado pelos seus filhos e pelos seus netos que seguirão a sua magnífica aventura. Pairará então sobre a memória do Homem Lúcido uma aura de bondade. Dir-se a:-Aquele amou muito. Aquele fez muito bem as pessoas!A Justa Lei Máxima da Natureza obriga que a quantidade de acontecimentos maus na vida de um homem se iguale sempre à quantidade de acontecimentos favoráveis. O Homem Lúcido, porém, esse que optou pela vida com o consentimento dos deuses tem o poder magno de alterar essa lei Na sua vida, os acontecimentos favoráveis serão sempre maioria...Porque essa é uma cortesia que a Natureza faz com Os Homens Lúcidos"
*O texto é uma livre tradução, parte de um Tratado sobre a lucidez, que teria sido escrito no séc. VI a.C, na Caldéia – parte sul e mais fértil da Mesopotamia, entre os rios Eufrates e Tigre
domingo, 20 de setembro de 2009
Hiato
Nossa, quanta poeira por aqui...
Mas ainda não á na hora de abrir a casa novamente.
No máximo, uma espanadinha.
Os dias estão breves demais pra verbalizar.
Ou ortografar.
Então, vamos assim.
Dou uma espiadela.
E fecho a janela até o sol se pôr novamente.
Mas ainda não á na hora de abrir a casa novamente.
No máximo, uma espanadinha.
Os dias estão breves demais pra verbalizar.
Ou ortografar.
Então, vamos assim.
Dou uma espiadela.
E fecho a janela até o sol se pôr novamente.
domingo, 26 de julho de 2009
Quatro elementos
Eu tô água. De maré cheia. Em noite de lua rasa. Na trilha íngreme. Curva ascendente. De manhã em claro. Em uníssono. De silêncio quebrado por sussurros. De olhos fechados. Coração aberto.
Mãos espalmadas.
De joelhos.
Em posição de prece.
Eu tô fogo. De vela crepitando. No som da madrugada. No ritmo de dois corpos que dançam.
Se embaralham. Se emaranham. Se completam.
Mãos inquietas.
De joelhos.
Na posição de pecado.
Eu tô ar. De brisa leve. Ventos esparsos. Em riso de criança. Pipa voando. No azul profundo.
Cobalto. Marinho. Turquesa.
Mãos amarradas.
De joelhos.
Na posição de castigo.
Eu tô terra. De solo fértil. Semeada de girassol. Umidificada. Em dois palmos. Regada. Arada. Em ressurgimento. Urgência. Florescendo.
Mãos elameadas.
De joelhos.
Na posição de adorar.
E pés completamente fora do chão.
Mãos espalmadas.
De joelhos.
Em posição de prece.
Eu tô fogo. De vela crepitando. No som da madrugada. No ritmo de dois corpos que dançam.
Se embaralham. Se emaranham. Se completam.
Mãos inquietas.
De joelhos.
Na posição de pecado.
Eu tô ar. De brisa leve. Ventos esparsos. Em riso de criança. Pipa voando. No azul profundo.
Cobalto. Marinho. Turquesa.
Mãos amarradas.
De joelhos.
Na posição de castigo.
Eu tô terra. De solo fértil. Semeada de girassol. Umidificada. Em dois palmos. Regada. Arada. Em ressurgimento. Urgência. Florescendo.
Mãos elameadas.
De joelhos.
Na posição de adorar.
E pés completamente fora do chão.
domingo, 17 de maio de 2009
Universos paralelos
Então é isso. Fim do espetáculo. As cortinas se fecham e voltamos pra coxia a fim de tirar a maquiagem e em dez segundos já somos normais de novo... É, fim de festa. Recolhemos as latas de cerveja vazia, os pratos, os cinzeiros. Empilhamos na pia e dormimos pq amanhã já é dia.
Fim de férias. É sempre meio igual ao beijo que não se deu, é aquele sentimento de pra onde foi a história quando o filme acabou. Mas...
Muita coisa boa aconteceu e não dá mesmo pra colocar neste blog o quanto foi bom ter passado alguns dias no universo paralelo. Sabia que ia ser bom, mas não imaginava nem um terço. Conheci pessoas incríveis, lugares incríveis, bebidas incríveis, paisagens incríveis, comidas incríveis. E o mais incrível é que mesmo em climão de party every day você começa a ver como sua vida pode ser infinitamente mais simples. Férias pra mim sempre tiveram a conotação de raio-x. É aquele momento que tiro pra mim, mesmo cercada de gente e passo a definir mudanças. Na penúltima, troquei de emprego. Na última, decidi que não faria mais concessões a quem só vive a vida a reclamar. Nesta, porém, resolvi que a pessoa mais importante desse meu mundo sou eu mesma e que daqui pra frente só entra no meu mundo quem for mesmo muito especial.
Esta férias, além de um bronzeado invejável, me trouxeram paz, mas um certo desassossego na alma. Quantas coisas precisam ser modificadas. Já. Mais do que isso: me trouxeram a plena certeza de que amizades são como aquele chocolate que guardamos no armário para os momentos mais amargos. Amizade após os 30 têm uma pegada diferente, pq a gente já não experimenta máscaras pras fraquezas. Elas são jogadas na mesa, junto com a conversa fiada e a caipirinha. Sorrimos, choramos, dizemos coisas duras, com certa franqueza mas aquele sorriso de quem acolhe.
Minhas férias foram em trio. Um trio até certo tempo atrás meio improvável por sermos pessoas tão diferentes. Mas olhar de fora o que formamos me enche de alegria e a tal da paz. Em saber que as experiências ali trocadas vão nos acompanhar pelo resto da vida, mesmo que nossas férias nunca mais rolem juntas. Terá sempre aquele código que a gente cria na hora, frases, músicas, olhares.
Cumplicidade...
* Depois posto musiquinha e vídeo e foto e... êeee
Fim de férias. É sempre meio igual ao beijo que não se deu, é aquele sentimento de pra onde foi a história quando o filme acabou. Mas...
Muita coisa boa aconteceu e não dá mesmo pra colocar neste blog o quanto foi bom ter passado alguns dias no universo paralelo. Sabia que ia ser bom, mas não imaginava nem um terço. Conheci pessoas incríveis, lugares incríveis, bebidas incríveis, paisagens incríveis, comidas incríveis. E o mais incrível é que mesmo em climão de party every day você começa a ver como sua vida pode ser infinitamente mais simples. Férias pra mim sempre tiveram a conotação de raio-x. É aquele momento que tiro pra mim, mesmo cercada de gente e passo a definir mudanças. Na penúltima, troquei de emprego. Na última, decidi que não faria mais concessões a quem só vive a vida a reclamar. Nesta, porém, resolvi que a pessoa mais importante desse meu mundo sou eu mesma e que daqui pra frente só entra no meu mundo quem for mesmo muito especial.
Esta férias, além de um bronzeado invejável, me trouxeram paz, mas um certo desassossego na alma. Quantas coisas precisam ser modificadas. Já. Mais do que isso: me trouxeram a plena certeza de que amizades são como aquele chocolate que guardamos no armário para os momentos mais amargos. Amizade após os 30 têm uma pegada diferente, pq a gente já não experimenta máscaras pras fraquezas. Elas são jogadas na mesa, junto com a conversa fiada e a caipirinha. Sorrimos, choramos, dizemos coisas duras, com certa franqueza mas aquele sorriso de quem acolhe.
Minhas férias foram em trio. Um trio até certo tempo atrás meio improvável por sermos pessoas tão diferentes. Mas olhar de fora o que formamos me enche de alegria e a tal da paz. Em saber que as experiências ali trocadas vão nos acompanhar pelo resto da vida, mesmo que nossas férias nunca mais rolem juntas. Terá sempre aquele código que a gente cria na hora, frases, músicas, olhares.
Cumplicidade...
* Depois posto musiquinha e vídeo e foto e... êeee
sábado, 18 de abril de 2009
Férias
O blog está em férias.
Alice estará pendurada em alguma lamparina pelos lados do litoral baiano.
Até...
´´O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é CORAGEM``
Alice estará pendurada em alguma lamparina pelos lados do litoral baiano.
Até...
´´O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é CORAGEM``
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Toda caixa é de Pandora?
Se você encontrasse agora uma caixa com tudo o que deixou guardado desde a juventude, o que estaria lá dentro? É uma pergunta que vem me atormentando há horas. Quantas coisas podem ter sido embaladas pela covardia? Ou ainda, quantas coisas estão lá porque tive coragem de colocá-las ali para que um dia, talvez, fossem finalmente libertadas? Na minha caixa, provavelmente, tem muitos livros que me acompanharam. Diários de um tempo em que acreditava que folhas secas só caíam no outono, que um amor existia pela vida inteira, que mais tarde as coisas seriam bem mais fáceis. Na minha caixa tem fitas K7 (pra quem não sabe o que é é um dispositivo que guarda as melhores músicas de fossa de sua adolescência se vc nasceu nos anos 70) gravadas da FM, do tempo em que o quarto era refúgio de dias ruins. Deve ter por ali aquela fitinha do Senhor do Bonfim que arrebentou, mas cujo desejo jamais se cumpriu, algumas fotos carcomidas, nas quais já não reconheço a ingenuidade daquele olhar, revistas em quadrinhos, bilhetinhos do correio do amor que jamais foram entregues pelo medo da rejeição. No fundo da minha caixa devem estar as cartas longas, profundas e irrascíveis que escrevi pro menino mais bonito do cursinho de inglês, que jamais se virou na minha direção. Como ele deve estar agora? Provavelmente careca, barrigudo e ainda assim não vai se voltar em minha direção... Tem ali tb umas jóias antiguinhas, presente bem intencionado, porém, equivocado do meu pai. Meu gosto por bijouteria deve ter um cunho psicológico enorme. Só isso pra explicar a minha predileção pelo que vai acabar em qq momento. Se fosse ouro... ah, se fosse ouro duraria pra sempre. Mas como tenho medo do que dura pra sempre. Como aquele tênis incrível que ainda tem um dos pés na cx. Guardei pra lembrar como foi andar com liberdade pela primeira vez. Canetas que jamais usei e perderam a tina, papéis de carta que jamais utilizei para enviar amor, chaveiros que jamais serviram para transportar o chegar e sair, panos que jamais viraram vaidade. Quanta coisa há ali para se lembrar. E esquecer. Se pudesse, o que faria com tudo isso que encontrou? Incinerar? Doar? Restaurar? Será que há restauro para o que ficou enterrado 20 anos? Mas a caixa está ali, na sua frente. Com tudo o que vc quis lembrar e esconder. Que paradoxo é se encontrar consigo mesmo depois de anos de retóricas assumidas e posições radicais. Quem é você, afinal? A poeira daquela caixa ou o que fez após a tampa?
Divide aí comigo
Pra imaginação rolar solta, uma música que faz parte da minha caixa em quadro negro.
Divide aí comigo
Pra imaginação rolar solta, uma música que faz parte da minha caixa em quadro negro.
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